10 de março de 2013

Top 5: Filmes de terror pouco conhecidos

Cinco filmes de terror diferentes, que valem a pena conhecer

Por: Além do Oscar

Postei aqui outro dia uma lista de alguns filmes de 2012 que não foram muito divulgados. E cheguei à conclusão de que algumas pessoas acham que eu tenho péssimo gosto para filmes de terror, por ter indicado o filme “Cabin in the Woods”.

E acho que eu vou para o meu túmulo defendendo que “Cabin in the Woods”, apesar de meio ridículo, é um muito bom filme – auto-referente, interessante e simplesmente divertido – e que Joss Whedon sabe escrever um diálogo, mas não é para isso que eu estou aqui.

Como eu gosto de polemizar, resolvi vir torturar os leitores do blog com mais do meu gosto duvidoso para filmes de terror. Desta vez, a lista abrange alguns filmes em que eu fui tropeçando ao longo dos anos e que, por algum motivo ou por outro, não ganharam muita exposição na mídia ou nas salas de cinema.

Desde já quero deixar claro que nem todos os filmes dessa lista vão ser considerados bons por todo mundo. Eu mesma não gosto de todos os títulos que listei aqui. Minha ideia foi montar uma lista filmes de terror diferentes, interessantes ou bem executados.

Por menos que você goste do filme de modo geral, garanto que se você assistir, vai achar alguma cena, personagem ou ideia que seja marcante ou  que renda alguma discussão com os amigos.

5) “A Entidade”

Não vou falar muito deste filme, porque já o resenhamos aqui, e acho que ele teve um pouco mais de exposição que os demais. Só o que eu tenho a dizer é que fiquei bastante impressionada com o quanto o cineasta consegue pegar uma fórmula completamente batida de filme de terror (“a casa é assombrada, eu mudei pra cá de propósito e estou tomando decisão estúpida atrás de decisão estúpida e agora todos vamos morrer”) e executar tão bem.

O filme sabe criar uma atmosfera constante de tensão e suspense, além de ter algumas imagens e ideias perturbadoras – os filmes caseiros que o personagem de Ethan Hawke encontra (sim, é um clichê e, não, não vai incomodar) são o maior exemplo disso.

4) “A Invasora”

Quando eu resolvi assistir a este filme de terror francês, foi depois de tê-lo visto em milhões de listas como esta, sendo elogiado até acabar o vocabulário do autor. Preciso admitir que me decepcionei um pouco; o filme que tem algumas cenas e ideias que ficam desconexas, que te deixam numa indignação de “COMO isso aconteceu? O que isso tem a ver com o que tava acontecendo até agora?”.

Esses defeitos, no entanto, não invalidam o fato de que este é um filme claustrofóbico, assustador, aflitivo e centrado no universo feminino. A história acompanha uma viúva grávida sendo perseguida, dentro de sua casa, por uma estranha que quer, literalmente, arrancar o bebê de dentro dela.

Parece uma ideia inicial meio ridícula, mas eu garanto que essa parte da história é aflitiva e bem construída. Se o roteiro tivesse evitado outros elementos estranhos, e focado apenas na história mais pessoal entre estas duas mulheres, eu teria gostado bem mais.

Algumas interpretações do filme, dizem que o enredo na verdade mostra a protagonista assombrada pela própria culpa, e assistindo ao filme, fica claro o porquê.

Eu compraria essa analogia, se não fosse um momento caótico, mais pro final do filme ( do qual eu fico reclamando o tempo todo mas não quero fazer spoiler), em que os roteiristas meio que jogam  a coerência no lixo. Mesmo assim, não deixa de ser um filme de terror muito bem atuado (a atriz Beatrice Dalle está fantástica no papel da estranha), tenso e único.

3) “May – Obsessão Assassina”

Você assiste a este terror psicológico sobre uma moça perturbada e solitária tentando estabelecer vínculos com outras pessoas sabendo que (e mais ou menos como) a coisa vai acabar mal. Mesmo assim, o filme é um exercício interessante, que faz o espectador sentir uma mistura estranha de simpatia, raiva e temor em relação à protagonista.

A atriz Angela Bettis consegue vender bem a ideia de uma menina esquisita e sozinha, que não sabe bem como o mundo e as outras pessoas funcionam, e que, apesar das tentativas de ser bem intencionada, tem algo  perigoso dentro de si.

Mais uma vez, pode parecer clichê a história, mas o filme funciona e não fica só no terror, o drama pessoal de May desperta tanto interesse quanto as partes mais sangrentas.

2) “Excision”

Um pouco do que foi dito a respeito de “May”, vale um pouco para Pauline, a protagonista de “Excision”. A diferença é que a personagem deste filme, uma adolescente perturbada com aspirações a uma carreira em medicina, é de que ela está mais segura em sua esquisitice, apesar de querer, de certa forma, a aprovação da mãe controladora.

O filme não chega a ser assustador, mas é um estudo psicológico cheio de imagens de delírios surreais que são um exercício interessante de estilo, apesar de lembrarem um pouco um clipe da Lady Gaga.

A personagem principal vai te fazer querer saber mais à respeito dela, de sua desconexão com o mundo à sua volta e de seus comportamentos obsessivos, que dão a certeza de que alguma coisa vai dar muito errado, em algum momento. É muito interessante observar como o filme vai, aos poucos, construindo este momento, mostrando aos poucos o ponto de vista extremamente fora da realidade da protagonista.

1) “Martyrs”

Para entender porque “Martyrs” é o filme mais “ame ou odeie” desta lista, vou fazer uma comparação com “Saló – ou 120 Dias de Sodoma“, de Pier Paolo Pasolini. Uma adaptação de um trabalho do Marquês de Sade, “Saló” retrata o abuso físico, mental e sexual de um grupo de adolescentes por quatro líderes fascistas libertinos.

E, dentre os que já viram este filme, você tem dois grupos: os que entendem o longa como uma crítica niilista do mundo moderno, da imprensa alienante, da dominação e desumanização de comandados por comandantes (isso só em linhas muito gerais, não tenho a intenção de assistir mais de uma vez “Saló”, então não dá para fazer qualquer tipo de análise). E há quem veja o filme como quase duas horas ininterruptas e insuportáveis de degradação e tortura de jovens, sem nenhum propósito aparente, além de chocar por chocar.

“Martyrs” é bem o tipo de filme que dá margem para essas duas interpretações. Um terror francês que começa acompanhando a vingança de uma mulher e sua amiga contra pessoas que a raptaram e torturaram quando criança e revela um culto que acredita ser capaz de descobrir o sentido da vida, se torturarem pessoas até um ponto em que o martírio as leve para um limiar entre vida e morte, no qual existiria algum tipo de iluminação.

Há quem reconheça no filme o mesmo niilismo de Pasolini e uma crítica à fé obstinada e ao mundo moderno, onde o fato de um grupo ter dinheiro significa que organizar algo assim é possível.

As cenas de tortura são constantes e agonizantes;  e vemos uma personagem destruída em um nível além do que parece possível. Mas, pior do que isso, o ato de torturar também é retratado como algo regrado, rotineiro e banalizado.

Isso faz com que assistir ao filme seja uma experiência excruciante para o espectador; e é possível você encarar essa característica de “Martyrs” como elogio (algo que o diretor teve a intenção de fazer, porque ele não quer que assistir a esse filme seja fácil) ou crítica (é algo que torna o filme inassistível e sem substância).

A outra visão que se tem do longa é de que ele mostra pouco mais que duas horas de tortura  e, se é que tinha a pretensão de transmitir qualquer tipo de mensagem grandiosa,  foi algo que se perdeu em meio aos 90% de cenas de violência e agonia.

Independente da sua conclusão a respeito do filme, existe sempre um mérito em histórias que causam este tipo de discussão. Acho que eu jamais vou assistir a “Martyrs” de novo, não importa a profundidade duvidosa que atribuam a sua história. Mesmo assim, é uma experiência que, sem dúvida, não dá para esquecer tão fácil.