20 de abril de 2012

Crítica: Os Vingadores

Por: Além do Oscar

O maior encontro de heróis da história do cinema valeu cada minuto de espera

Não consigo imaginar um filme que tenha criado mais expectativas do que “Os Vingadores”. Desde o momento em que saímos do cinema em 2008, após assistir “Homem de Ferro”, a Marvel vem nos provocando com a proposta de uma aventura que reuniria todos os seus maiores heróis.

E esta proposta somente foi reforçada nos anos seguintes, como “O Incrível Hulk”, “Homem de Ferro 2”, “Thor” e “Capitão América – O Primeiro Vingador”. Com o tempo, a mera escala deste projeto tornou ainda mais difícil a missão do diretor Joss Whedon de corresponder a tudo que os fãs tanto aguardavam.

Bem, após finalmente ver a “Os Vingadores”, falo com certeza que este é um dos melhores filmes de super heróis que eu já assisti.

Aqui, Loki (Tom Hiddleston) retorna com planos para utilizar o Tesseract, o cubo com poderes cósmicos que vimos em posse do Caveira Vermelha em “Capitão América – O Primeiro Vingador”. O deus da trapaça não veio despreparado e trouxe consigo um grotesco e violento exército vindo de outro mundo. Após os primeiros passos de seu plano serem dados, a Terra tem apenas dias para existir.

O diretor da S.H.I.E.L.D, Nick Fury (Samuel L. Jackson), une os heróis com quem manteve contato nos últimos anos, forma os Vingadores e preocupa-se em fazer a equipe funcionar da melhor maneira possível. Claro, as coisas não acontecem sem problemas, mas eventualmente, os personagens fazem por merecer o título de “Os Maiores Heróis da Terra”.

A trama não é exatamente inovadora, especialmente para quem passou os últimos meses acompanhando todas as novidades sobre ela. Mas eu sempre digo que uma história bem feita é sempre preferível a uma ideia 100% nova que acabe sendo mal executada. Principalmente porque estas quase não existem mais.

O longa não tem pressa em acontecer. Sim, é um “blockbuster” da melhor qualidade, com cenas de ação de fazer os olhos saltarem, mas tais momentos não são arremessados em nosso colo a cada dois minutos como acontece nos trabalhos de por exemplo… Michael Bay. Os combates e momentos de adrenalina não tem problemas em ceder espaço para o desenvolvimento de personagens e diálogo. Sim, já conhecemos o Capitão América (Chris Evans), Thor (Chris Hemsworth) e os demais, sim, eles já foram estabelecidos em seus próprios filmes, mas o fizeram como indivíduos. Agora, temos a chance de vê-los agindo em conjunto e é necessário tempo para que possamos nos acostumar a esta nova faceta dos mesmos.

Por exemplo, Tony Stark (Robert Downey Jr.) e Bruce Banner (Mark Ruffalo) possuem uma afinidade quase instantânea. Ambos são homens da ciência, racionais, que avaliam todas as possibilidades antes de agir, é natural que se dessem bem, apesar de suas diferenças. O Capitão América já atua mais como um irmão mais velho para a equipe, enquanto Thor, visitante de outro mundo, observa os demais ainda sem se aproximar demais, mas sempre presente para proteger e ajudar seus novos camaradas.

Vamos lembrar que Joss Whedon é um nerd de marca maior. Como tal, ele sabe o que os fãs de quadrinhos querem ver nos filmes, assim como também tem uma boa ideia de qual a melhor maneira de atrair o público que não necessariamente cresceu com estes personagens. As interações entre o elenco satisfazem os seguidores da Marvel, assim como irão abrir um sorriso em quem nunca pegou um gibi nas mãos, mas aprendeu a gostar destes seres super poderosos com o passar dos últimos anos.

Um excelente exemplar de filme de ação que tem a cabeça e o coração nos lugares certos.

As atuações são espetaculares e mostram como uma boa direção pode fazer um elenco variado render. Nenhum personagem é esquecido, ninguém é deixado de lado e não existe “um” astro em meio a todos, a estrela do filme é de fato o grupo.

A Viúva Negra (Scarlett Johansson) por exemplo, recebeu um papel bem maior. Enquanto em “Homem e Ferro 2” ela passou a maior parte do tempo parada, carrancuda e sendo linda, aqui ela atua muito mais. Não apenas como uma chutadora de bundas oficial, mas também demonstrando que em termos de inteligência e engenhosidade, nada deve a aqueles que a cercam.

Mark Ruffalo, como estreante em meio aos heróis, criou um excelente Bruce Banner. Ele passa calma, tranquilidade e comedimento, mas podemos perceber também uma certa exaustão, provavelmente causada por sua eterna necessidade em conter o monstro que habita seu interior, bem como sua eterna busca por redenção, por algo do qual não tem controle ou culpa.

Claro, não podemos esquecer de Tom Hiddleston e sua impecável caracterização de Loki. Ele criou um vilão odioso, mas capaz de despertar uma certa empatia quando percebemos que toda a sua ganância vem de um imenso complexo de inferioridade e uma necessidade absoluta de ser querido. Claro, isso não o redime de nenhum de seus pecados, mas o torna mais assustador, pois aquilo que faz dele um psicopata, homicida e megalomaníaco, são características bem humanas que todos carregamos conosco.

Estes são apenas exemplos básicos. Eu poderia passar o dia descrevendo e elogiando cada atuação, mas no final as contas este é um filme de ação e se a mesma não funcionar, tudo mais está perdido.

Felizmente, ela funciona.

Como é de praxe em Hollywood no momento, “Os Vingadores” é cheio de computação gráfica. Mas diferente do que acontece em muitas produções, ela não é um mero pretexto para se encher a tela de coisas móveis que justifiquem o preço do ingresso em uma sessão 3D. De fato, aqui os efeitos visuais são usados de forma inteligente e parecem nunca se tornar excessivos, mesmo quando um gigante verde e um homem numa armadura dourada enfrentam alienígenas pelas ruas de Nova York.

As lutas também são muito bem dirigidas, cheias de dinamismo mas sem cairem no erro de tornarem-se frenéticas demais. Assimilar o que acontece na tela é automático, graças também a presença do elenco principal, que sem dúvida faz seu melhor para tornar as batalhas grandiosas em algo plausível.

Houve também um trabalho especial do diretor em focar-se nas habilidades especiais de cada herói; Hulk e Thor fazem uso da força bruta, Homem de Ferro e Capitão América são estrategistas, enquanto Viuva Negra e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) oferecem um suporte tático imprescindível para o sucesso dos demais.

Toda esta variação evita o marasmo que poderia vir de um grupo que apenas utiliza artes marciais na hora de combater seus inimigos. Sempre que o foco da ação muda, a mesma também o faz e o espectador permanece grudado na poltrona, atento a cada movimento diante de seus olhos e sem o risco de ficar entediado.

Resumindo, “Os Vingadores” possui bons diálogos, bom desenvolvimento de personagens, ótimas atuações e cenas de ação eletrizantes, tudo misturado com a perfeição exigida de uma obra com tamanha magnitude.

Honestamente, ninguém poderia pedir mais.

Antes de encerrar, quero fazer um adendo mais pessoal. Ao final de “Os Vingadores”, todos os presentes na sala de cinema estavam tão impressionados que a sala inteira explodiu em aplausos. Uma plateia inteira de fãs de quadrinhos, um dos públicos mais difíceis de agradar de que se tem notícia, aprovou a produção sem nenhuma ressalva.

Joss Whedon, você tinha uma missão difícil em mãos e a cumpriu com maestria. Não merece menos do que nossa gratidão e respeito. Agora, desejamos apenas que você volte para a inevitável continuação e dê a estes heróis, mais uma vez, a dignidade que eles merecem.

Garanto que nos ergueremos e o aplaudiremos novamente.